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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

da dor da gente


Tenho uma dor de concha extraviada.
Uma dor de pedaços que não voltam.
Eu sou muitas pessoas destroçadas.
Manoel de Barros

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sábado, 5 de outubro de 2013

das gentes que viramos

Eu não pude controlar meu peito e te fiz respirar no meus absurdos. Te corri pra longe como quem espanta as crianças que cercam a forma de bolo ainda quente. Não quis me ajustar, eu confesso. Culpa minha, toda minha...mas foi isso que te fez ser corrido. Não me entender é não me amar, é desistir de me querer. Das bagunças que sou feita, só cabia a ti me encarar. Mas não!

Foi mais fácil esperar até que eu não aguentasse mais e pedisse que, por favor, fôssemos ser lonjuras. Pintei minhas janelas de cores diferentes para me disfarçar, pedi que o carteiro não mais me visitasse para despistar-me e fui passando as mãos em todas as tomadas, quero tudo assim desligado. 

Sei bem dos começos e dos fins, é dos meios que eu tenho medo de lidar...essas rotinas que se formam e das gentes que viramos. 

Defendo meus estados porque é só de mim que sei. De ti e dos outros, só o que vejo no espelho. Acabei por estar assim, sentada em cadeiras que deixei que tu construíste pra mim, todas instáveis e frágeis...nenhuma aguenta. Iguais a ti, que nunca se deixou caber por mim. Nada que eu fizesse, ia te engrandecer. Preferi ser esse escândalo para apontar o que tu escondes.  

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

do ter, do ser e do querer


Alguém que aguentasse a sua loucura.
Alguém que enfeitasse a sua feiura.
Alguém que resfriasse a sua queimadura.
Alguém que desmontasse a sua armadura.
Alguém que juntasse a sua varredura.
Alguém que acertasse a sua pendura.
Alguém que adjetivasse a sua nomenclatura.
Alguém que lustrasse a sua escultura.
Alguém que apaziguasse a sua fissura.
Alguém que encontrasse o que você procure.

[trecho extraído das inspirações do Coletivo "7 Capetas"]

domingo, 1 de setembro de 2013

do a gente acha que sabe


Não sei agir bem comigo, mas sou a mais aplicada em aprender a lidar com os outros. Alguma coisa em mim busca o agradar alheio e a certeza de ser bem aceita.

Mas não pense mal de mim, eu faço porque gosto. Gosto de ver os outros no seu habitat natural. Não é esforço, é prazer. 

É só reparar na satisfação que carrego entre os meus sorrires.