Páginas

terça-feira, 13 de maio de 2014

do que se acha perdido

Foi só agora que parei para assoprar a poeira que estava sobre a minha máquina de fazer tan tans. Há muito este lugar anda esquecido e, por isso, o abandono provoca negligências avassaladoras em outros tantos lugares. 

Soterrado em memórias e quase sendo rasgado por sonhos não realizados, ele quase não recebe as luzes que entram pelas frestas dos olhos e quase se faz surdo pras gargalhadas que ecoam lá fora. Foi assim, pra não sofrer...se fechou. Eis o caso de uma fera que se enjaulou.

Ele se achou fora de moda, E, ao contrário de muitos semelhantes que conhece, não quis usar máscaras ou se disfarçar. "Isso não funciona pra mim", pensou ele antes de se esvaziar. Num envelope ficou guardando, de pouquinho em pouquinho, a coragem e a ousadia. A habilidade de se surpreender ele jogou bem alto e não viu onde caiu. Com a força que ainda tinha, apertou bem a tampa do potinho onde deixou, quase sem ar, as decisões.

Não sei se foi ontem ou há décadas que o encontrei assim. Na verdade, ele é daqueles reincidentes. Parece que nunca aprende. Qualquer coisa é motivo. Más há aqueles pontos em que tudo muda, e aí meus caros, eu levo ele para passear com outra máquina de fazer tan tan. E assim sinto todo o meu coração!


domingo, 15 de dezembro de 2013

do que vem em mim

cansei um pouco de ser eu.
vim aqui para esparramar um pouco de Leminski. 
afinal, Curitiba me tornou essa coisa muito insana que não cansa de querer ser mais alguém!
ahhh... colhi esse poema sobre mil novecentos e oitenta e sete pelo fato eu ser ímpar de todo o meu nascimento.
1987, tende piedade de nós
Paulo Leminski

anos ímpares
são anos vítimas
anos sedentos
de sangue e vingança
todo gozo será punido
e o deserto será nossa herança

anos ímpares
são sarampo ínguas cataporas
bocas que praticam
tacos e cacos de línguas
lixos onde mora a memória

muda a regra, muda o mapa,
muda toda a trajetória
num ano ímpar,

só não muda a nossa história

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

das tantas tentativas de ser mais


Quem de nós sabe o que é? Quem acorda e já tem o seu dia programado? Ok, pior que eu conheço gente assim...que sabe os passos que vai dar, onde e quando. Poxa...desculpem-me, mas vocês são uns chatos. Todos vocês!

Graças às boas coisas desta vida, eu não sei muita coisa. E, por vezes, faço toda a questão de não saber nada. Busco as cochias, porque não nasci para os holofotes. Meus dias são de total inconstância, e aaaaaaahhhhh...como são bons, como são divertidos e como me fazem melhor. Não, eu não desisti de ser um encanto, não me escondo (bem ao contrário) me mostro como posso e como acho que sou. 

A sorte disso tudo é se jogar, viver e acreditar que podemos ser versões melhores de nós mesmos. Carrego o meu coração na mão e meus olhos abertos para poder me surpreender com tudo e ter a delícia de querer o ápice de tudo, já resolvi que quero me jogar em tudo e daí vou descobrindo as infinitas possibilidades de se divertir.

Se passei pelos caminhos mais incríveis e aguentei as pessoinhas mais desagradáveis, foi pelo fato de querer experimentar e entender que a vida é isso...um amontoado de coisas que a gente tem que encarar pra saber ser um tanto mais forte.