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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

do que deixou de existir

Quando um amor acaba tudo muda, muda a gente!

 E é aí, meu caro, que a alma desmorona, que doem as ideias, a cabeça fica a pesar, os sentimentos se estilhaçam e, o que restava de um coração cansado, se contorce dentro do peito. 

 Dói tanto que irrita. Ainda mais porque nem tem remedinho para tomar ou ferida exposta para ser estancada.
A indignação já não tem mais dono ou alvo.
 
Afinal, de quem é a culpa?

terça-feira, 13 de maio de 2014

do que se acha perdido

Foi só agora que parei para assoprar a poeira que estava sobre a minha máquina de fazer tan tans. Há muito este lugar anda esquecido e, por isso, o abandono provoca negligências avassaladoras em outros tantos lugares. 

Soterrado em memórias e quase sendo rasgado por sonhos não realizados, ele quase não recebe as luzes que entram pelas frestas dos olhos e quase se faz surdo pras gargalhadas que ecoam lá fora. Foi assim, pra não sofrer...se fechou. Eis o caso de uma fera que se enjaulou.

Ele se achou fora de moda, E, ao contrário de muitos semelhantes que conhece, não quis usar máscaras ou se disfarçar. "Isso não funciona pra mim", pensou ele antes de se esvaziar. Num envelope ficou guardando, de pouquinho em pouquinho, a coragem e a ousadia. A habilidade de se surpreender ele jogou bem alto e não viu onde caiu. Com a força que ainda tinha, apertou bem a tampa do potinho onde deixou, quase sem ar, as decisões.

Não sei se foi ontem ou há décadas que o encontrei assim. Na verdade, ele é daqueles reincidentes. Parece que nunca aprende. Qualquer coisa é motivo. Más há aqueles pontos em que tudo muda, e aí meus caros, eu levo ele para passear com outra máquina de fazer tan tan. E assim sinto todo o meu coração!


domingo, 15 de dezembro de 2013

do que vem em mim

cansei um pouco de ser eu.
vim aqui para esparramar um pouco de Leminski. 
afinal, Curitiba me tornou essa coisa muito insana que não cansa de querer ser mais alguém!
ahhh... colhi esse poema sobre mil novecentos e oitenta e sete pelo fato eu ser ímpar de todo o meu nascimento.
1987, tende piedade de nós
Paulo Leminski

anos ímpares
são anos vítimas
anos sedentos
de sangue e vingança
todo gozo será punido
e o deserto será nossa herança

anos ímpares
são sarampo ínguas cataporas
bocas que praticam
tacos e cacos de línguas
lixos onde mora a memória

muda a regra, muda o mapa,
muda toda a trajetória
num ano ímpar,

só não muda a nossa história