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sábado, 12 de março de 2016

sobre pertencimentos

Assim que dei o último adeus, deixei mais do que alguns sorrisos e alívios para trás. 

Dessas muitas coisas que não me acompanharam; vários números de telefone automaticamente se perderam da minha memória e, sem muito esforço, uns tantos nomes foram se tornando apenas denominações referentes a algumas pessoas que já conheci. 

Organicamente tenho me confundindo ao tentar lembrar de datas e momentos que eu á nem mais sei se foram neste ano, há 4 anos ou se realmente chegaram a acontecer.

Começo a acreditar que, logo que fechei minhas malas e embarquei em uma nova forma de encarar meus dias, o que não me bastava ficou realmente mofando no canto daquela casa que já foi minha, daquela vida que um dia vivi. Tudo mais que não era pra mim, ficou. E eu vim.

Mas não vim sozinha. Aquecidos no meu peito, uma multidão de corações que me agitam a alma e aqueles sem fim de emoções que (quando se rareiam as minhas) são responsáveis pela carga extra de bem-querer e alento.

Ando evitando desperdícios de tempo e desgastes para não me encher do que não me pertence. Ainda assim, continuo cheia de muitos momentos e pessoas, mas estes são meu combustível para dias mais leves. Esses não me escampam e eu estou segura com eles.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

sobre estar um tanto nua

Inventei de me dar uma folga. Passar um tempo passando o tempo a limpo. Vagarosa ideia, esta que eu tive, de me libertar do que me afogava e me deixava sem vontade. 

Foi me entregando às muitas das minhas vontades que segui em frente no labirinto que montei nestes anos todos. E, nossa, são tantos caminhos e voltas que tenho feito. Parece que não é tão fácil assim me desvencilhar de todas as amarras e ideias presas a mim. 


Decidi  fechar os olhos e confiar...em mim, nos outros, no caminho. Fiz o que muitos deixam para trás ou escondem que já fizeram igual: me escondi. 

Por agora, tenho meus dedos tapando meus olhos e meus ouvidos já andam surdos das batidas do meu coração. Pois bem, é este insistente coração que eu ainda não tive como dar jeito. Não há doma ou armadilha que o faça-me guiar em outra direção. Ou então, meios de fazê-lo seguir outros ritmos. 

Queria estabelecer uma outra forma de ser, e de poder ser mais os outros. Por menos heróico que seja admitir, eu já tentei.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

sobre madrugadas vazias

As madrugadas têm sido mais e mais barulhentas e agitadas. Sem ter ruas para correr, pistas para desfilar ou outros corpos para descobrir; minha mente insiste em perturbar as noites de sono.

Acordo pesada como se a dose de vodka que eu não tomei ainda martelasse minha cabeça. E não é de tanto dançar que minhas costas, tensas, se curvam sobre as pernas que bambeiam sem que ninguém as tenham feito tremer.

Minhas manhãs têm sido de dúvidas em saber que sonho me pular de uma cama que eu mesmo baguncei de tanto empurrar os lençóis. E às vezes que não foram nem o despertador ou o sol invadindo meu quarto que me tiraram do vazio do sono, e sim eu mesma gritando. Se era uma briga, uma ordem, um pedido de socorro ou um desejo satisfeito nunca consigo saber.

Talvez sejam meus planos inacabados ou as vezes em que deixei pairando no ar muitos sentimentos. O que é certo é que isso de não estar em paz, ainda me pesa a alma.



quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

de como viramos joías de pedra

Quantas memórias que nos machucaram podemos guardar? O coração tem algum prazo para deixar de manter sentimentos vazios mofando suas paredes? E a nossa alma, por quanto tempo ela consegue se desvincular das mentiras que nos foram contadas?

Já esqueci  quem me disse que tinha entrado em minha vida para 'consertar o que estava quebrado' ou daquele que me sussurrou que 'era por mim que ele ainda continuava a respirar'. Fiz esse favor a mim, apagar os nomes de todos. Mas as suas vozes, seus recados e as tantas palavra jogadas como flechas para o meu peito... dessas não há jeito de me livrar.

Porque insistem tanto em brincar em um jogo do qual sabe que não irão até o fim? Qual a justificativa de plantar flores em um terreno que não estarão (e nem querem estar) para a colheita? E o que resta de tudo isso já sei bem: peças quebradas em um tabuleiro esquecido e flores murchas que foram regadas a lágrimas.

E, foi assim, de abandono em abandono, que comecei a trajar armaduras mais resistentes e menos ornamentadas para, em meu castelo com paredes vazias de cores e de quadros, receber meus amores.