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sábado, 10 de março de 2018

dos erros da gente e dos outros


É verdade que, de erro em erro, a gente aprende? Acho que não. A gente só esquece. Abstrai. Empurra com a barriga. Finge e segue em frente. No que diz respeito ao que bate no peito da gente, isso poderia virar uma tatuagem bem visível (de preferência neste mesmo peito), escrito assim em letras coloridas e bem grandes: a gente erra e não aprende, só acumula.

Imagem: www.emmahan.com
Uma pilha de erros que vão empurrando os antigos e deixando eles tão bobinhos que a gente até acha graça. É isso mesmo, o tempo faz a gente rir do que tanto nos machucou. Não só o tempo, porque ele sim ensina. O que fode é a grande, enorme, ridiculamente extensa fila de erros. O coração, coitado, já não sabe mais distinguir. Apanhou tanto que confunde, deixa passar e tem aquelas vezes (péssimas, alias) que releva.

Vou repetir aqui para não deixar escapar nada (tá lendo isto coração?): a gente ri, deixa passar e releva muita coisa. Não pode, não pode e não pode. Mas adianta chamar toda esta atenção?! Que nada.  Afinal, bem ou mal, a gente acredita. E uma fila de possibilidades se forma quando invocamos este sentimento, acreditamos que: tudo vai dar certo, que ele vai mudar, que a gente vai mudar, que pode se tentar de outra forma, que vai ter uma hora certa...

E vou parar por aqui, porque já me perdi nas tantas desculpas que inventei para seguir em frente (ou apenas para dar conta de não desmoronar).

E a gente faz tudo isso para que? Porque não tem como deixar o tal do coração dentro de uma caixinha, todo bonitinho e seguro longe daqueles sorrisos que te desarmam ou então daqueles olhares que fazem a tua alma pairar no ar. Não dá e ponto. Porque não damos festas onde só a gente está na lista de convidados. Por isso que estamos aqui, enfrentando uma artilharia de rejeições, recebendo tiros à queima roupa de balas que eram destinadas a outras pessoas e nós tivemos a brilhante ideia de nos jogarmos na frente e vários canhões com munição escassa, que não mata e só machuca. 

Mas não temos muito para onde correr. O jeito (não o certo, atenção para isso) é estar ciente que vão errar com a gente e semi nos protegermos. Dos outros e da gente!


quinta-feira, 1 de março de 2018

sobre conexões


Existe um oceano entre mim e ele. E como eu queria que isto fosse apenas uma figura de linguagem. Mas é isso mesmo, tem de se ir muito longe para se estar um tanto mais perto. Levou um tempo para que nós dois estivéssemos dentro de um abraço. Tudo ia além. E quando os sentimentos vão além, a gente percebe.

imagem: themoonofsimplicity.tumblr.com
Nosso amor nasceu moderno: entre bytes, pixel e horas de conexão compartilhadas entre fuso-horários. Vimos a tecnologia evoluir sob nossos dedos no teclado e nossas tentativas de uma transmissão de vídeo decente. E como explicar para as pessoas que, em algum lugar do mundo (no qual tu jamais colocou os pés) bate um coração atrás da tela de um computador e ele está em sintonia com o teu?! Ninguém entenderia, nem eu! Mas é comigo, e bem sei o quão real tudo isto é.

Anos e anos (e mais alguns anos) nos ensinaram a lidar com este oceano, com uma vida semi-encaminhada que cada um construiu para si, com os outros alguéns que apareceram e desapareceram com a mesma frequência. E, com aquele sentimento que ajudava a respirar: a esperança de encurtar distâncias. Por uma noite, o mundo foi todo nosso.

Sem fronteiras. Sem janelas de um chat para serem fechadas, só aquelas que tiveram de, apressadamente, serem abertas para deixar o ar entrar. De plano de fundo agora só as nossas fotos em um país tão antigo quanto as nossas origens, e não da tela do computador. Foi assim que transformamos o touchscreen em uma tecnologia muito mais eficiente: as minhas mãos tocando a pele dele, ao vivo, a cores e com uma definição de imagem jamais vista (só por nós dois). Sem a necessidade de gastar dados ou wifi, nos conectamos à melhor rede social que existe: dentro de um abraço. Interatividade em seu mais alto grau de eficiência. Mesmo que a memória de nossos corações fosse infinita, nós sabíamos que o tempo de conexão compartilhada tinha limite. Ainda mais quando se opera em roaming.

Vai chegar a hora que iremos parar de inserir códigos de DDI nas ligações por celular, que não vai ser preciso mais perguntar a quantas horas de diferença estamos (para que ninguém acorde o outro de madrugada) e que possamos compartilhar a internet do mesmo modem. 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

dos motivos de ser assim


É sempre assim, eu trago para cá todos estes sentimentos que o meu coração na suporta e que a minha mente não entende. Depois disso fica mais fácil processar o que se passa em mim? Não! Não fica. Se ficassem, eu não teria mais sobre o que escrever porque estaria tudo resolvido...mas esta não sou eu. Eu sou um amontoado de casos em aberto, perguntas sem resposta e problemas a resolver. Vou acumulando estas sensações a fim de me certificar que há algo mesmo ali.

Não sei esquecer. Mas fugir é uma ação que domino. Pulo de um despenhadeiro emocional para outro com uma destreza que é de se admirar. Faço isso porque sei que, quando eu estiver para cair, há sempre uma fuga pra mim. ‘Não se acostumar’, é o que meu ego, meu coração e minha alma andam a gritar sempre. Posso até não ter paz, mas sei que faço o que quero e não o que pensam ou planejam por mim.

De mim, sei que sou aquela bagunça que ninguém se propôs a arrumar. Os que vieram porta à dentro na confusão, saíram tontos e sem olhar para trás. Sem paciência, sem vontade e – o clássico dos clássicos – sem interesse. Não, obrigada! Prefiro ser a certeza que estou só do que a ilusão de que há alguém te estendendo a mão. 

Venho aqui para colocar pra fora o que não coube em mim, o que eu não consigo ver no espelho e o que não há como explicar para o outro. E, quem sabe, me fazer entender por ti. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

pra quando tudo acabar


Mesmo quando as coisas coisas não dependem mais do nosso agir e tudo vai nos afogando em apertos da alma, tento não abraçar o desespero. De olhos fechados eu fujo para não ter medo de ir, medo de sair por aí, medo de (na maior das sortes) encontrar uma paz que faça parte de mim. 

Com quem você fala quando as coisas vão mal? Quem é que sabe te salvar do mundo? Pra onde vão te arrastar quando não houver mais paz em ti? 

É por isso que me controlo e deixo passar o desespero (mesmo que colado em mim). Me finjo de louca, de boba, de triste...finjo sempre porque não sei responder estas perguntas. Não sei o que fazer quando a vida desabar na minha frente. Dissimular o presente já virou rotina, é a minha droga para fugir de tudo. Para não encarar a dor do outro e maquiar a minha.

Eu só não entro em desespero porque sei que, quando me vestir dele, não tem volta.


sábado, 12 de novembro de 2016

sobre ir, vir e não deixar voltar

A gente se gasta tanto por tão pouca coisa. 

Prepara o corpo, prepara a alma e prepara a vida para momentos que jamais irão chegar, para sensações que só existirão em nossos peitos e permanecemos ali, sem ter quem nos leve para ir junto. 

São vontades mortas por nossos corações apertados, cheios de desejos para doar, mas trancafiados à exaustão dentro do que sobra da gente. E, sem ter onde desaguar, muito de bom acaba mofando. 

São tantas coisas para repartir. Inúmeros sorrisos para compartilhar. Um sem fim de suspiros a existir. Mas tudo fica a pairar no ar. Continuam ali sendo meus, não por egoísmo...mas por solidão. Ainda que desajeitado, meu coração aprendeu a ser altruísta. Mas não joga pérolas aos porcos.

Um mundo de possibilidades existe em mim, mas poucas almas aventureiras parecem estar dispostas a subir as montanhas do meu corpo ou então saltar das grandes nuvens que são meus pensamentos. 

Por hora, ainda há resistentes sentimentos que se renovam a cada novo olhar. Só tenho é pena deles e de mim!  

sábado, 5 de novembro de 2016

sobre repetidas vezes

"Eu quero que dê certo. Só fui resolver meu passado. A gente se deu bem. Poderia ter sido melhor ainda. Mas eu fui muito culpado nisso. Não tive a paciência de te explicar, e quando tentei, nada se esclareceu.
Sei lá. Só queria voltar pra você."

Foi isso o que um deles me disse certa vez. E, mudando uma desculpa aqui e ali, ou agregando níveis de desapego, é basicamente o cerne do discurso de todos. Depois de tudo deu para acostumar e aprender a lidar? É claro que não. Nunca dá!

Eu sei, já fui assim como eles: eram as minhas ideias e só. O mundo (e os outros) que se adequassem ao que emanava de mim. Mas o tempo, a vida e o peso dos relacionamentos me bateram tanto que ajudaram a ponderar.. a repensar... a justificar.
Sem princípios de lição de moral, abri meu coração e destravei a língua quando disse para ele: “o que quebrou tudo, foi o teu acaso em por as cartas na mesa e me dizer "fuuii"."
Não que eu fosse abraça-lo e explicar para o Mundo que eu o entendia. Me deixar pensando nele não foi a opção mais justa.

Falar na cara não dói, não dar as caras é que esgana a gente e confunde as ideias! Mas isso parece não ser uma alternativa a ser utilizada. Nunca é!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

de ter nós em mim

Há muitas amarras em mim. Me segurando, me suspendendo e me agarrando. Escrevo com pressa isto tudo aqui porque em breve elas vão cair. Mas, por horas, as que mais doem  são as que quero extinguir.

Sem espaço para ser mais e para crescer, vim encolhendo a alma, fechando as asas da consciência e trancando as portas do coração. Não há boca que diga para mim que eu devo ir sem olhar para trás. Todas as vozes que chegam até meus ouvidos estão carregadas de cuidados, de relatos de perigos já passados e sem força para um novo futuro.

São vozes cansadas, bocas que já se fecharam diversas vezes e que estão apenas replicando conselhos que lhe foram ditos antes. Todas elas são ecos de desistências. Folhas arrancadas de agendas coloridas. Histórias apagadas por medos.


Quando a tesoura está na mão, afiada e pronta para cortar isso tudo que me prende, eu travo e só penso: “E se eu cortar e cair? E se nada mais me manter suspensa no ar?”. Acaba tudo aí. Acaba por voltar a ser tudo igual. Eu. As amarras. A tesoura caída. Eu não sei flutuar, só sei cair. Sem final pra mim. 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

de carregar milagres


Tudo terminou comigo correndo para a rua indo respirar ar puro. Precisava disso, meu coração não aguentava mais estar tão intoxicado de tantas histórias inventadas. Não tinha mais situação perto de ti em que eu não pudesse deixar meu peito em paz. 

Os últimos tempos tinham se transformado num longo primeiro gole de whisky: tudo tão pesado e forte. Tudo pronto para me derrubar. Eu, que achei que já podia aguentar todos os porres, me vi tomada de uma ressaca como aquelas que os iniciantes têm. 

Minhas experiências em bebidas e casos desastrosos são assim: muito conhecida e nada recente. Mas aprendi, com tombos e ânsias, que até as garrafas que enfeitam o teu bar podem te levar ao chão sem cerimônias. Na verdade, é nelas que tu confia para os melhores momentos e esquece de certificar a data de validade quando vai leva-las à boca.

Agora não tem tido vez que eu ignore os prazos nos rótulos, o que me deixa sem saciar a sede por muito tempo. Esse foi o ônus seguro que eu me impus a viver. Por outro lado, são mais e mais situações em que posso respirar fundo sem arriscar poluir o coração. Ando sozinha, mas tenho carregado menos peso e vivido milagres particulares a todo o instante.  


sábado, 9 de abril de 2016

das fugas programadas

Tem situações que nos marcaram a vida, nos preencheram os dias e ocuparam nossa mente de uma forma tão forte que quando pesam demais no nosso coração a gente sai como se estivesse fugindo para não ver como acabou. Porque chegou mesmo ao fim, mas não quisemos sentir a dor e nem aguentar as pulsações que iam terminar dilacerando nossas ilusões.

Longe de mim sofrer tudo isso na hora do fim, eu deixo para depois. Deixo para o tormento se apossar do que resta de mim mais a diante, fazendo com que meu coração seja pisado homeopaticamente até minha alma estar suspensa no ar.

Igual aos filmes, fujo com o sorriso no canto da boca, uma lágrima de enfeite para sedução e esmagando meus desejos entre os dedos. Escondido em mim há um despenhadeiro em que me jogo quando estou sozinha, todo dia, depois de forjar alegrias para a multidão.

Entre pedidos de desculpas e promessas de um futuro melhor, respiro até o extremo da minha paciência, desejando um fim indigno para teu coração que bate em frente a mim. Digo, forçando mais alguns suspiros, que entendo tudo. Da porta para fora do carro, meus punhos cerrados agridem com o ar de uma uma forma que eu não soube agir em palavras.

Sigo falsa, dissimulada e fraca. Não sei soltar as panteras que me rasgam a alma e calar os milhões de lobos que uivam em meu peito. Ainda espero chegar  o dia de ousadia desmedida para gritar o quanto eu não estava errada e, que a culpa de tudo, sempre foi tua.

sábado, 12 de março de 2016

sobre pertencimentos

Assim que dei o último adeus, deixei mais do que alguns sorrisos e alívios para trás. 

Dessas muitas coisas que não me acompanharam; vários números de telefone automaticamente se perderam da minha memória e, sem muito esforço, uns tantos nomes foram se tornando apenas denominações referentes a algumas pessoas que já conheci. 

Organicamente tenho me confundindo ao tentar lembrar de datas e momentos que eu á nem mais sei se foram neste ano, há 4 anos ou se realmente chegaram a acontecer.

Começo a acreditar que, logo que fechei minhas malas e embarquei em uma nova forma de encarar meus dias, o que não me bastava ficou realmente mofando no canto daquela casa que já foi minha, daquela vida que um dia vivi. Tudo mais que não era pra mim, ficou. E eu vim.

Mas não vim sozinha. Aquecidos no meu peito, uma multidão de corações que me agitam a alma e aqueles sem fim de emoções que (quando se rareiam as minhas) são responsáveis pela carga extra de bem-querer e alento.

Ando evitando desperdícios de tempo e desgastes para não me encher do que não me pertence. Ainda assim, continuo cheia de muitos momentos e pessoas, mas estes são meu combustível para dias mais leves. Esses não me escampam e eu estou segura com eles.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

sobre estar um tanto nua

Inventei de me dar uma folga. Passar um tempo passando o tempo a limpo. Vagarosa ideia, esta que eu tive, de me libertar do que me afogava e me deixava sem vontade. 

Foi me entregando às muitas das minhas vontades que segui em frente no labirinto que montei nestes anos todos. E, nossa, são tantos caminhos e voltas que tenho feito. Parece que não é tão fácil assim me desvencilhar de todas as amarras e ideias presas a mim. 


Decidi  fechar os olhos e confiar...em mim, nos outros, no caminho. Fiz o que muitos deixam para trás ou escondem que já fizeram igual: me escondi. 

Por agora, tenho meus dedos tapando meus olhos e meus ouvidos já andam surdos das batidas do meu coração. Pois bem, é este insistente coração que eu ainda não tive como dar jeito. Não há doma ou armadilha que o faça-me guiar em outra direção. Ou então, meios de fazê-lo seguir outros ritmos. 

Queria estabelecer uma outra forma de ser, e de poder ser mais os outros. Por menos heróico que seja admitir, eu já tentei.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

sobre madrugadas vazias

As madrugadas têm sido mais e mais barulhentas e agitadas. Sem ter ruas para correr, pistas para desfilar ou outros corpos para descobrir; minha mente insiste em perturbar as noites de sono.

Acordo pesada como se a dose de vodka que eu não tomei ainda martelasse minha cabeça. E não é de tanto dançar que minhas costas, tensas, se curvam sobre as pernas que bambeiam sem que ninguém as tenham feito tremer.

Minhas manhãs têm sido de dúvidas em saber que sonho me pular de uma cama que eu mesmo baguncei de tanto empurrar os lençóis. E às vezes que não foram nem o despertador ou o sol invadindo meu quarto que me tiraram do vazio do sono, e sim eu mesma gritando. Se era uma briga, uma ordem, um pedido de socorro ou um desejo satisfeito nunca consigo saber.

Talvez sejam meus planos inacabados ou as vezes em que deixei pairando no ar muitos sentimentos. O que é certo é que isso de não estar em paz, ainda me pesa a alma.



quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

de como viramos joías de pedra

Quantas memórias que nos machucaram podemos guardar? O coração tem algum prazo para deixar de manter sentimentos vazios mofando suas paredes? E a nossa alma, por quanto tempo ela consegue se desvincular das mentiras que nos foram contadas?

Já esqueci  quem me disse que tinha entrado em minha vida para 'consertar o que estava quebrado' ou daquele que me sussurrou que 'era por mim que ele ainda continuava a respirar'. Fiz esse favor a mim, apagar os nomes de todos. Mas as suas vozes, seus recados e as tantas palavra jogadas como flechas para o meu peito... dessas não há jeito de me livrar.

Porque insistem tanto em brincar em um jogo do qual sabe que não irão até o fim? Qual a justificativa de plantar flores em um terreno que não estarão (e nem querem estar) para a colheita? E o que resta de tudo isso já sei bem: peças quebradas em um tabuleiro esquecido e flores murchas que foram regadas a lágrimas.

E, foi assim, de abandono em abandono, que comecei a trajar armaduras mais resistentes e menos ornamentadas para, em meu castelo com paredes vazias de cores e de quadros, receber meus amores.


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

do que deixamos para trás

Cada gaveta que eu tranco, é um sentimento encurralado. Tem sido assim nos últimos anos: escondo lembranças para que eu possa viver em paz com os outros, porque de mim já desisti. Mas, as memórias das coisas que ando escondendo parecem não querer desbotar. Minha consciência e meu erros acumulados não dão trégua e continuam a amarrotar meus dias. 


As lembranças, de tão vivas, parecem pessoas que me param na rua perguntar se eu me lembro delas. "Não quero", eu digo. É tudo em vão. .elas me puxam pelo braço, me encaram de um jeito assustador e eu reconheço: sou fraca. Reviro essas gavetas com a intenção de encontrar alguma coisa que não seja minha, algum sinal alheio, um erro que não seja meu e que veio parar ali porque peguei a culpa de outro. Mas não tem jeito, tudo neles são meus, gritam meu nome e se agarram a mim como se quisessem existir de novo. 

As chaves bamboleiam nas minhas mãos, quero trancar logo esses absurdos e fugir. Sair o quanto antes de perto para que não vejam que sou eu. Eles não precisam se mostrar para ninguém, porque todas as horas eles vêm me visitar. E como são barulhentos!


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Das nossas iguais diferenças!

Desigual. Eis uma boa definição para o País em que vivemos, desigual para com o seu povo. Encaramos, sem cerimônia, uma sociedade que é moldada pelo seu meio.

Das tantas diferenças, a social ainda é a que mais mutila o futuro de muitos. É nela que se escondem um sem fim de desigualdades. A baixa (ou quase nenhuma) condição financeira se espreita aqui, trazendo de arrasto a privação de cuidados com a saúde.

O meio que molda o homem é, neste caso, um meio precário e nada sadio. Da pobreza social e financeira geram carências orgânicas, cognitivas e de ordem sanitária que repercutem em lacunas intelectuais. Precisamos, sim, de mais comida. 

Temos uma fome que só pode ser saciada com pratos fundos de qualidade de vida e fartos de políticas públicas. Para daí sim, tratarmos de porcentagens positivas e avaliações de um futuro melhor.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

de não saber terminar


O coração anda pesado, tão pesado que dói. Não era para ser assim, estava tudo resolvido, esquematizado e pensando: não ia doer, a gente terminou, eu ia dormir e tudo passar. Até que passou e eu ignorei as dores e dramas que todos insistem em mostrar que carregam. Mereci até um troféu de melhor sorriso falso e de melhor efeito especial de um coração intacto. Durou tão bem por um tempo que até pensei em revelar minhas fotos dançando livre pela noite.

Mas não durou o bastante, até que eu me curasse de vez e parasse de usar band-aids e maquiagens para disfarçar tudo. Nunca dura. E eu nunca aprendo isso. NUNCA! 


Já ando aqui olhando pra trás, sem piscar ou disfarçar. Desbloqueando sentimentos e acumulando vontades que eram nossas. Com um chicote nas mãos bato forte, inúmeras e inúmeras vezes, em meu peito na insistência que este coração pesado saia de mim e me alivie a alma. Jogo as memórias no chão, quero pisoteá-las todas, para não ter mais o que lembrar. 

Agora só me restou andar vestida de pequenas invejas, ciúmes descabidos e suspiros sem destino. Já não tem nós para tantas lágrimas e aqueles gritos de raiva. Trocamos fortes emoções por impulsos de nos manter longe. O filme já terminou e continuo aqui sentada com a pipoca no colo!

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

de controlar o mundo com as batidas do coração

Tem que ter coragem, minha gente. Toda, se possível for. Neste vai e vem de dias em que (graças à Deus) os muros estão caindo para as pessoas pararem de ficar em cima deles, ter um tanto de opinião faz da gente ser bem mais interessante e comprometido com as nossas coisas e as do Mundo.

Deixar de peitar as situações que nos são impostas, além de um trágico tempo de acomodações, podem trazer uma série de pesos e apertos no coração. Ainda mais para pessoas como nós, acostumadas a sentir as mais diversas pulsações e a traduzir os sussurro alheios.

Precisamos parar de nos sufocarmos em silêncios e corrermos o mais rápido para a linha de chegada dos nossos sonhos. Muitas assuntos que me eram prioridades (ou, que eu tratava como tal), já não me perturbam mais pelo simples fato de que parei de ver o mundo em cinza.

Tranquilizar o pensamento e balançar o ímpeto já é um caminho gostoso a ser feito para encontrarmos soluções que nos façam suspirar. Corajosos também são os que não têm medo de errar, de mudar de opinião...e, mais do que tudo: ter opiniões para mudar. Colocar pimenta no tempero da vida torna tudo mais avassalador.

Como quem quer quase nada, a gente vai chegar a ter um tanto de histórias para se orgulhar. Desapeguei mesmo do que não me fazia falta ou daquelas tantas funções que me sobravam, continuei só com o que cabia em mim!


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

das tentativas da alma da gente

Já faz tempo, e eu nem tenho feito muito. Está tudo errado assim. Eu bem sei!

É que, para te explicar melhor, tenho gastado meus dias a sonhar. São tantas essas vontades que tenho até confundido o que sempre quis, com os meus novos desejos. Se bem que essa parece ser a única coisa certa que ando a fazer: lutar para me transformar mais em mim.

Confesso, não está sendo nada delicado tratar disso. Diferente do corpo, quando a alma cresce, não é só a pele e os ossos que entram em processo de sacrifício. Juro que parece que, por vezes, a sensação é de estar caminhando na rua e perder o rua: realmente não saber o que se é, para que direção mirar ou ter seus pensamentos extraviados. 

Mas a parte não tão ruim disso, é que neste processo semi-cansativo, a gente vai arrecadando sorrisos, compartilhando histórias e criando novas memórias. E, é desta forma que os corações que batem em sintonia com o nosso, nos levam para adiante...para lutar o bom combate. Eu aqui sempre os bendigo!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

de saber ir embora

Foi quando eu bati a porta de casa, depois daquela tarde de cacos no chão e de uma quase olimpíada de dedos na cara, que meu coração começou a entender que eu sou bem melhor que toda aquela arrogância tua que me soterrava.

Eu fiz de tudo pra mostrar o meu amor, desenhei corações nas paredes, te recebia com o calor de mil abraços e deixava a nossa música pra tocar sempre quando a luz do sol adentrava o quarto. Eu, sempre surda com as batidas aceleradas do meu coração, fiquei descompensada. A paz estava em te ter por perto, mesmo que mudo ao meu lado. Destrambelhada, não notava os silêncios e as fugas das conversas que eram ditadas pelo tom da minha voz e pelo teu eterno alheamento.

Acostumei a te esperar vestida dos mais lindos sorrisos, mesmo que já estivessem molhados das tantas lágrimas que temperavam nossos beijos. Já te via cansado dos meus jantares reaquecidos pelas tuas demoras e incomodado com a cama desfeita pelos meus revirares nervosos que ansiavam pela tua chegada. As nossas madrugadas estavam sendo de boa noite e bom dia, sem os deliciosos meios que nos agitavam o corpo.

Foi assim, de vazio em vazio, que me dei conta do que eu maquiava com aquela minha antiga sina de te querer demais: você se foi e não quis me levar junto. Precisei mais do que palavras negativas e toques de delicadeza pra saber que já tinha acabada. Eu necessitava mesmo eram de doses de cansaços, overdoses de rejeições e daquele sem fins de ‘não te amo mais’ para me tocar que não adiantava tentar me debruçar sobre o que restou da gente.

Me fui antes de enlouquecer e agora posso respirar tranquila, já levei pra longe tudo que tinha comigo. Desapeguei deste desejo que já me fez tão mal, não te procuro mais nos lençóis e já não há mais saudade. Hoje eu só quero que você saiba que não consigo mais viver com você, Acredite! Agora, me desespero só de imaginar que um dia eu te amei.