domingo, 15 de dezembro de 2013

do que vem em mim

cansei um pouco de ser eu.
vim aqui para esparramar um pouco de Leminski. 
afinal, Curitiba me tornou essa coisa muito insana que não cansa de querer ser mais alguém!
ahhh... colhi esse poema sobre mil novecentos e oitenta e sete pelo fato eu ser ímpar de todo o meu nascimento.
1987, tende piedade de nós
Paulo Leminski

anos ímpares
são anos vítimas
anos sedentos
de sangue e vingança
todo gozo será punido
e o deserto será nossa herança

anos ímpares
são sarampo ínguas cataporas
bocas que praticam
tacos e cacos de línguas
lixos onde mora a memória

muda a regra, muda o mapa,
muda toda a trajetória
num ano ímpar,

só não muda a nossa história