quinta-feira, 9 de junho de 2016

de carregar milagres


Tudo terminou comigo correndo para a rua indo respirar ar puro. Precisava disso, meu coração não aguentava mais estar tão intoxicado de tantas histórias inventadas. Não tinha mais situação perto de ti em que eu não pudesse deixar meu peito em paz. 

Os últimos tempos tinham se transformado num longo primeiro gole de whisky: tudo tão pesado e forte. Tudo pronto para me derrubar. Eu, que achei que já podia aguentar todos os porres, me vi tomada de uma ressaca como aquelas que os iniciantes têm. 

Minhas experiências em bebidas e casos desastrosos são assim: muito conhecida e nada recente. Mas aprendi, com tombos e ânsias, que até as garrafas que enfeitam o teu bar podem te levar ao chão sem cerimônias. Na verdade, é nelas que tu confia para os melhores momentos e esquece de certificar a data de validade quando vai leva-las à boca.

Agora não tem tido vez que eu ignore os prazos nos rótulos, o que me deixa sem saciar a sede por muito tempo. Esse foi o ônus seguro que eu me impus a viver. Por outro lado, são mais e mais situações em que posso respirar fundo sem arriscar poluir o coração. Ando sozinha, mas tenho carregado menos peso e vivido milagres particulares a todo o instante.  


sábado, 9 de abril de 2016

das fugas programadas

Tem situações que nos marcaram a vida, nos preencheram os dias e ocuparam nossa mente de uma forma tão forte que quando pesam demais no nosso coração a gente sai como se estivesse fugindo para não ver como acabou. Porque chegou mesmo ao fim, mas não quisemos sentir a dor e nem aguentar as pulsações que iam terminar dilacerando nossas ilusões.

Longe de mim sofrer tudo isso na hora do fim, eu deixo para depois. Deixo para o tormento se apossar do que resta de mim mais a diante, fazendo com que meu coração seja pisado homeopaticamente até minha alma estar suspensa no ar.

Igual aos filmes, fujo com o sorriso no canto da boca, uma lágrima de enfeite para sedução e esmagando meus desejos entre os dedos. Escondido em mim há um despenhadeiro em que me jogo quando estou sozinha, todo dia, depois de forjar alegrias para a multidão.

Entre pedidos de desculpas e promessas de um futuro melhor, respiro até o extremo da minha paciência, desejando um fim indigno para teu coração que bate em frente a mim. Digo, forçando mais alguns suspiros, que entendo tudo. Da porta para fora do carro, meus punhos cerrados agridem com o ar de uma uma forma que eu não soube agir em palavras.

Sigo falsa, dissimulada e fraca. Não sei soltar as panteras que me rasgam a alma e calar os milhões de lobos que uivam em meu peito. Ainda espero chegar  o dia de ousadia desmedida para gritar o quanto eu não estava errada e, que a culpa de tudo, sempre foi tua.

sábado, 12 de março de 2016

sobre pertencimentos

Assim que dei o último adeus, deixei mais do que alguns sorrisos e alívios para trás. 

Dessas muitas coisas que não me acompanharam; vários números de telefone automaticamente se perderam da minha memória e, sem muito esforço, uns tantos nomes foram se tornando apenas denominações referentes a algumas pessoas que já conheci. 

Organicamente tenho me confundindo ao tentar lembrar de datas e momentos que eu á nem mais sei se foram neste ano, há 4 anos ou se realmente chegaram a acontecer.

Começo a acreditar que, logo que fechei minhas malas e embarquei em uma nova forma de encarar meus dias, o que não me bastava ficou realmente mofando no canto daquela casa que já foi minha, daquela vida que um dia vivi. Tudo mais que não era pra mim, ficou. E eu vim.

Mas não vim sozinha. Aquecidos no meu peito, uma multidão de corações que me agitam a alma e aqueles sem fim de emoções que (quando se rareiam as minhas) são responsáveis pela carga extra de bem-querer e alento.

Ando evitando desperdícios de tempo e desgastes para não me encher do que não me pertence. Ainda assim, continuo cheia de muitos momentos e pessoas, mas estes são meu combustível para dias mais leves. Esses não me escampam e eu estou segura com eles.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

sobre estar um tanto nua

Inventei de me dar uma folga. Passar um tempo passando o tempo a limpo. Vagarosa ideia, esta que eu tive, de me libertar do que me afogava e me deixava sem vontade. 

Foi me entregando às muitas das minhas vontades que segui em frente no labirinto que montei nestes anos todos. E, nossa, são tantos caminhos e voltas que tenho feito. Parece que não é tão fácil assim me desvencilhar de todas as amarras e ideias presas a mim. 


Decidi  fechar os olhos e confiar...em mim, nos outros, no caminho. Fiz o que muitos deixam para trás ou escondem que já fizeram igual: me escondi. 

Por agora, tenho meus dedos tapando meus olhos e meus ouvidos já andam surdos das batidas do meu coração. Pois bem, é este insistente coração que eu ainda não tive como dar jeito. Não há doma ou armadilha que o faça-me guiar em outra direção. Ou então, meios de fazê-lo seguir outros ritmos. 

Queria estabelecer uma outra forma de ser, e de poder ser mais os outros. Por menos heróico que seja admitir, eu já tentei.