sábado, 10 de março de 2018

das companhias que a gente tem para si


Ultimamente uma constante tem feito parte da minha vida: não tenho feito distinção alguma na hora de selecionar minhas companhias. Só uma coisa é certa, tenho levado estado com elas na minha casa sempre. E, de preferências, passando pelas minhas mãos e parando na minha boca.

São tintos, brancos, rosês e aquela predileção especial pelo Porto. Para o meu entendimento, quanto maior o teor alcoólico, maior é a experiência. Entra uma taça e outra vou passando por dias chatos e elevando dias animados. Isso pode soar como uma conversa de bêbado? Pode até ser! Até porque são todas bem divertidas e repletas de acontecimentos.

Cada um se segura como e onde pode. E eu, dentro dos limites estabelecidos pela sociedade vigente (será mesmo?!), estou segurando uma bem trabalhada taça de vinho Chardonnay. Gelado, por favor!

Sempre tive uma predileção pelos tintos e encorpados. Mas os dias de sol forte e umas tantas garrafas contabilizadas para experiência me deixaram com o paladar (e o fígado) predisposta à leveza e total frescor dos brancos. Mas nada que o clima, o humor e as influências não me façam visitar o outro lado da adega.

by drunked witrer

dos erros da gente e dos outros


É verdade que, de erro em erro, a gente aprende? Acho que não. A gente só esquece. Abstrai. Empurra com a barriga. Finge e segue em frente. No que diz respeito ao que bate no peito da gente, isso poderia virar uma tatuagem bem visível (de preferência neste mesmo peito), escrito assim em letras coloridas e bem grandes: a gente erra e não aprende, só acumula.

Imagem: www.emmahan.com
Uma pilha de erros que vão empurrando os antigos e deixando eles tão bobinhos que a gente até acha graça. É isso mesmo, o tempo faz a gente rir do que tanto nos machucou. Não só o tempo, porque ele sim ensina. O que fode é a grande, enorme, ridiculamente extensa fila de erros. O coração, coitado, já não sabe mais distinguir. Apanhou tanto que confunde, deixa passar e tem aquelas vezes (péssimas, alias) que releva.

Vou repetir aqui para não deixar escapar nada (tá lendo isto coração?): a gente ri, deixa passar e releva muita coisa. Não pode, não pode e não pode. Mas adianta chamar toda esta atenção?! Que nada.  Afinal, bem ou mal, a gente acredita. E uma fila de possibilidades se forma quando invocamos este sentimento, acreditamos que: tudo vai dar certo, que ele vai mudar, que a gente vai mudar, que pode se tentar de outra forma, que vai ter uma hora certa...

E vou parar por aqui, porque já me perdi nas tantas desculpas que inventei para seguir em frente (ou apenas para dar conta de não desmoronar).

E a gente faz tudo isso para que? Porque não tem como deixar o tal do coração dentro de uma caixinha, todo bonitinho e seguro longe daqueles sorrisos que te desarmam ou então daqueles olhares que fazem a tua alma pairar no ar. Não dá e ponto. Porque não damos festas onde só a gente está na lista de convidados. Por isso que estamos aqui, enfrentando uma artilharia de rejeições, recebendo tiros à queima roupa de balas que eram destinadas a outras pessoas e nós tivemos a brilhante ideia de nos jogarmos na frente e vários canhões com munição escassa, que não mata e só machuca. 

Mas não temos muito para onde correr. O jeito (não o certo, atenção para isso) é estar ciente que vão errar com a gente e semi nos protegermos. Dos outros e da gente!


quinta-feira, 1 de março de 2018

sobre conexões


Existe um oceano entre mim e ele. E como eu queria que isto fosse apenas uma figura de linguagem. Mas é isso mesmo, tem de se ir muito longe para se estar um tanto mais perto. Levou um tempo para que nós dois estivéssemos dentro de um abraço, o que não demorou foi a gente perceber que o bem-querer e a companhia das horas de ócio excedia o comum de quem pouco de conhece. Tudo ia além. E quando os sentimentos vão além, a gente percebe.

imagem: themoonofsimplicity.tumblr.com
Nosso amor nasceu moderno: entre bytes, pixel e horas de conexão compartilhadas entre fuso-horários que nem sempre colaboravam com as rotinas diferentes. Vimos a tecnologia evoluir sob nossos dedos no teclado e nossas tentativas de uma transmissão de vídeo decente. Sem contar as frustrantes vezes sem contato porque a vida que sociedade sem ele e eu exigia da gente. Pois, como explicar para as pessoas que, em algum lugar do mundo (no qual tu jamais colocaste os pés) bate um coração atrás da tela de um computador e ele está em sintonia com o teu?! Ninguém entenderia, nem eu! Mas é comigo, e bem sei o quão real tudo isto é. E é real porque faz bem e porque também dói.

Anos e anos (e mais alguns anos) nos ensinaram a lidar com este oceano, com uma vida semi-encaminhada que cada um construiu para si, com os outros alguéns que apareceram e desapareceram com a mesma frequência e, com aquele sentimento que ajudava a respirar: a esperança de encurtar distâncias. E, por uma noite, o mundo foi todo nosso.

Sem fronteiras. Sem janelas de um chat para serem fechadas, só aquelas que tiveram de, apressadamente, serem abertas para deixar o ar entrar. De plano de fundo, das nossas fotos e não da tela do comutador, um país tão antigo quanto as nossas origens. Foi assim que transformamos o touchscreen em uma tecnologia muito mais eficiente: as minhas mãos tocando a pele dele, ao vivo, a cores e com uma definição de imagem jamais vista (apenas só por nós dois). Sem a necessidade de gastar dados ou wifi, nos conectamos à melhor rede social que existe: dentro de um abraço. Interatividade em sem mais alto grau de eficiência. Mesmo que a memória de nossos corações fosse infinita, nós sabíamos que o tempo de conexão compartilhada tinha limite. Ainda mais quando se opera em roaming.

Vai chegar a hora que iremos parar de inserir códigos de DDI nas ligações por celular, que não vai ser preciso mais perguntar a quantas horas de diferença estamos (para que ninguém acorde o outro de madrugada só para dar um beijo de boa noite, porque para um ainda é cedo da noite) e que possamos compartilhar a internet do mesmo modem. Estamos trabalhando para isso: menos “que horas tu chega em casa” e mais “me espera na tua casa, que estou chegando”.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

dos motivos de ser assim


É sempre assim, eu trago para cá todos estes sentimentos que o meu coração na suporta e que a minha mente não entende. Depois disso fica mais fácil processar o que se passa em mim? Não! Não fica. Se ficassem, eu não teria mais sobre o que escrever porque estaria tudo resolvido...mas esta não sou eu. Eu sou um amontoado de casos em aberto, perguntas sem resposta e problemas a resolver. Vou acumulando estas sensações a fim de me certificar que há algo mesmo ali.

Não sei esquecer. Mas fugir é uma ação que domino. Pulo de um despenhadeiro emocional para outro com uma destreza que é de se admirar. Faço isso porque sei que, quando eu estiver para cair, há sempre uma fuga pra mim. ‘Não se acostumar’, é o que meu ego, meu coração e minha alma andam a gritar sempre. Posso até não ter paz, mas sei que faço o que quero e não o que pensam ou planejam por mim.

De mim, sei que sou aquela bagunça que ninguém se propôs a arrumar. Os que vieram porta à dentro na confusão, saíram tontos e sem olhar para trás. Sem paciência, sem vontade e – o clássico dos clássicos – sem interesse. Não, obrigada! Prefiro ser a certeza que estou só do que a ilusão de que há alguém te estendendo a mão. 

Venho aqui para colocar pra fora o que não coube em mim, o que eu não consigo ver no espelho e o que não há como explicar para o outro. E, quem sabe, me fazer entender por ti.