segunda-feira, 30 de novembro de 2015

do que deixamos para trás

Cada gaveta que eu tranco, é um sentimento encurralado. Tem sido assim nos últimos anos: escondo lembranças para que eu possa viver em paz com os outros, porque de mim já desisti. Mas, as memórias das coisas que ando escondendo parecem não querer desbotar. Minha consciência e meu erros acumulados não dão trégua e continuam a amarrotar meus dias. 


As lembranças, de tão vivas, parecem pessoas que me param na rua perguntar se eu me lembro delas. "Não quero", eu digo. É tudo em vão. .elas me puxam pelo braço, me encaram de um jeito assustador e eu reconheço: sou fraca. Reviro essas gavetas com a intenção de encontrar alguma coisa que não seja minha, algum sinal alheio, um erro que não seja meu e que veio parar ali porque peguei a culpa de outro. Mas não tem jeito, tudo neles são meus, gritam meu nome e se agarram a mim como se quisessem existir de novo. 

As chaves bamboleiam nas minhas mãos, quero trancar logo esses absurdos e fugir. Sair o quanto antes de perto para que não vejam que sou eu. Eles não precisam se mostrar para ninguém, porque todas as horas eles vêm me visitar. E como são barulhentos!


2 comentários:

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